sexta-feira, dezembro 26, 2008

e. e. cummings

na estrênua brevidade
Vida:
realejos e abril
treva, amigos

eu me lanço rindo.
Nas tintas fio-de-cabelo da aurora amarela,
no ocaso colorido de mulheres

eu sorrisando
deslizo. Eu
na grande viagem escarlate
nado, dizendomente;

(Você sabe?) o
sim, mundo
é provavelmente feito
de rosas & alô:
(de atélogos e, cinzas)

(tradução: Augusto de Campos )


agora ar é ar e coisa é coisa: traço

nenhum da terra celestial seduz
nossos olhos sem ênfase onde luz

a verdade magnífica do espaço.

Montanhas são montanhas; céus são céus -
e uma tal liberdade nos aquece
que é como se o universo uno,sem véus,

total, de nós(somente nós)viesse

- sim; como se, despertas do torpor
do verão, nossas almas mergulhassem
no branco sono onde se irá depor
toda a curiosidade deste mundo
(com júbilo de amor)imortal e a coragem

de receber do tempo o sonho mais profundo

(tradução: Augusto de Campos )

sábado, dezembro 20, 2008

Poesia

Datilografia  Álvaro de Campos

 

Traço, sozinho, no meu cubículo de engenheiro, o plano, 
Firmo o projeto, aqui isolado, 
Remoto até de quem eu sou. 
Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro, 
O tique-taque estalado das máquinas de escrever. 
Que náusea da vida! 
Que abjeção esta regularidade! 
Que sono este ser assim! 

Outrora, quando fui outro, eram castelos e cavaleiros 
(Ilustrações, talvez, de qualquer livro de infância), 
Outrora, quando fui verdadeiro ao meu sonho, 
Eram grandes paisagens do Norte, explícitas de neve, 
Eram grandes palmares do Sul, opulentos de verdes. 

Outrora. 

Ao lado, acompanhamento banalmente sinistro, 
O tique-taque estalado das máquinas de escrever. 

Temos todos duas vidas: 
A verdadeira, que é a que sonhamos na infância, 
E que continuamos sonhando, adultos, num substrato de névoa; 
A falsa, que é a que vivemos em convivência com outros, 
Que é a prática, a útil, 
Aquela em que acabam por nos meter num caixão. 

Na outra não há caixões, nem mortes, 
Há só ilustrações de infância: 
Grandes livros coloridos, para ver mas não ler; 
Grandes páginas de cores para recordar mais tarde. 
Na outra somos nós, 
Na outra vivemos; 
Nesta morremos, que é o que viver quer dizer; 
Neste momento, pela náusea, vivo na outra ... 

Mas ao lado, acompanhamento banalmente sinistro, 
Ergue a voz o tique-taque estalado das máquinas de escrever.

terça-feira, agosto 28, 2007

Poesia

A
not
o
o
poem
a
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o
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re
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terça-feira, julho 24, 2007

Poesia

l´arternité

Onde está a Poesia?
- Adiante.
Onde está a Poesia?
- Adiante.

Os poetas são a antena da raça.

Onde está a Poesia?
- Radiante.

segunda-feira, março 05, 2007

Poesia

sonho
com
fuso

som
o
uso

Con
fúcio